quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Resenha Crítica

Derivas: cartografias do ciberespaço - 1 ed. São Paulo: Anablume/Senac, 2004,

Capítulo - “Wearcomp”: dispositivos móveis de presença mediada
Luisa Paraguai Donati – Gilberto Prado


É interessante perceber nossa já emergente sensibilidade diante de novos meios tecnológicos numa época em que tudo parece ter sido criado e que não há mais espaço para a criatividade, tendo em mente que esses novos meios possuem características específicas e que até então a humanidade (talvez) jamais tenha tido experiências semelhantes com outras mídias e técnicas. As relações entre sujeito-tempo-espaço-sujeito através dos dispositivos são cada vez mais diversificadas, uma vez que suas propriedades possibilitam, além da troca de novas percepções, a atualização cada vez mais rápida e acessível de sua tecnologia.

Donati e Prado anunciam no texto alguns dispositivos e meios em que se realizam essas experiências, citando também algumas obras e autores para reforçar o argumento. Um dos conceitos abordados é a presença mediada, em que não é mais necessária a presença física do sujeito para que ele se relacione com outro espaço e/ou tempo e, também, com outros sujeitos. As relações aqui serão diferentes das relações do contato físico direto, pois o tempo de resposta é imediato e o número de pessoas em que ocorre essa troca é muito maior devido a essa “imaterialidade” do espaço virtual. Para entender esse conceito, é necessário se ater ao dispositivo como uma “vestimenta” (wearcomp), onde o usuário “veste” o computador e a partir dele passa a interagir com seus recursos e com outros usuários; devido a esse comportamento de “vestir” o dispositivo, o sujeito tem a liberdade de executar outras atividades e de selecionar o que ele quer experimentar.


Como dito antes, os autores citam obras de artistas para demonstrar o processo artístico da interação entre os dispositivos e as pessoas, dentre eles Steve Mann que utiliza essa tecnologia para causar a reflexão nas pessoas de que mesmo com a sensação de segurança causada pela vigilância contínua não impede que isso também se torne uma clausura - voltando a Alan Moore com seu pensamento “quem vigia o vigilante?”. Outro questionamento abordado no fim do capítulo é o da “telepresença” do espectador, onde ele se torna também um elemento dessa realidade virtual capaz de manipular todo esse novo universo munido de equipamentos sofisticados que o fazem ter as já citadas novas sensações e percepções. Mesmo na contemporaneidade com diversos meios de difusão de informações, creio que nenhuma seja tão eficaz quanto a rede de computadores, pois fragmenta tanto o que conhecemos como realidade que é impossível não termos uma nova percepção do que é ou não real, pois há muito tempo carregamos uma consciência linear e cartesiana de como o mundo funciona.


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